Uma Fome Nuclear: Um bilhão de pessoas em risco.

Artigo retirado do site da CNN.

Editor’s note: Jayantha Dhanapala is a former ambassador to the United States from Sri Lanka, U.N. under-secretary general for disarmament and chairman of the 1995 Non-Proliferation Treaty Review and Extension Conference. Ira Helfand is the past president of Physicians for Social Responsibility and current North American vice president of the International Physicians for the Prevention of Nuclear War.

(CNN) – Recent ballistic missile tests by India, Pakistan and North Korea — which has ominously threatened to “reduce to ashes” the South Korean military “in minutes” — are once again focusing the world’s attention on the dangers of nuclear war.

This concern was dramatically underscored in a new report released at the Nobel Peace Laureates Summit in Chicago. Titled “Nuclear Famine: A Billion People at Risk” (PDF), the study shows that even a limited nuclear war, involving less than half of 1% of the world’s nuclear arsenals, would cause climate disruption that could set off a global famine.

The study, prepared by International Physicians for the Prevention of Nuclear War and its U.S. affiliate, Physicians for Social Responsibility, used a scenario of 100 Hiroshima-sized bombs exploded in a war between India and Pakistan. If there were such a war, the study estimated that 1 billion people, one-sixth of the human race, could starve over the following decade.

Along with recent events, these findings require a fundamental change in our thinking about nuclear weapons.

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O artigo cita India e Paquistão, que têm bombas atômicas, como ponto de ignição de uma possível Guerra Nuclear. Quanto à Corea do Norte, ela sim está ameaçando a Corea do Sul e ainda o Japão – o que deixam de citar e, ainda por cima, deixam ambíguo que India e Paquistão estejam ameaçando também a Corea do Sul no começo do artigo.
Em resumo, físicos ao redor do mundo se unem para evitar uma Guerra Nuclear que poderia matar um bilhão de pessoas de fome apenas na década seguite aos ataques.

O problema está em pontos como: EUA, na América. Rússia, na Ásia e Leste Europeu. Coreas e Japão, no extremo Leste. Paquistão e India, no sul da Ásia. E – por que não? – Irã no meio do Oriente Médio. Se algo em escala global acontecesse, talvez apenas a África, a América Latina e a Austrália pudessem estar “livres” de uma destruição imediata, mas a fome passaria por todos. E, ainda com os submarinos americanos e russos, e suas numerosas reservas de bombas da Guerra Fria… tudo pode virar às avessas rapidamente.

O artigo continua…

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Fredric Jameson – E-Book

Post retirado do blog Crítica Dialética.

Fredric Jameson


Ensaio de Fredric Jameson: Reificação e utopia na cultura de massa (Crítica Marxista, n. 1, 1994). Em pdf.

Em inglês:

Entrevista:

Em francês:

Bibliografia de Jameson em inglês.

Roda Viva – Arthur Giannotti – 07/05/2012

Texto e vídeo do próprio site da TV Cultura.

Para o link original, clique aqui.

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Filósofo e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (Universidade de São Paulo), José Arthur Giannotti foi o centro do Roda Viva de segunda-feira (7/5). Além de filosofia, o professor Giannotti, que é pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), também falou sobre política e corrupção, fazendo uma leitura do Brasil de hoje.

“Nós temos uma sociedade de sociólogos fechados”, é assim que define os pensadores de hoje. Para Giannotti, a se a filosofia não for algo mais do que o remoer dos textos ela não chega a entrar para debate mundial.  Mas ele ressalta que há grandes pensadores na atualidade, dentre eles jornalistas que falam como filósofos.

Mas difícil mesmo é saber traduzir um filósofo. Eles existem e sempre existiram. Cada um com suas palavras e pensamentos. “Há um grande engano, quando se lê René Descartes pensa-se que se entendeu e não entendeu-se nada”. Segundo Giannotti, “todos os filósofos estão certos, todos estão errados. Eles dizem o mesmo de uma forma diferente”.

O professor também falou sobre os sistemas de cotas raciais nas universidades: “Sou inteiramente favorável. Existe uma dívida com a população negra que precisamos resgatar. Se fizermos uma quantidade de cotas para escolas públicas, teremos uma quantidade grande de negro sem classifica-los como negros. Acho que podemos também tentar outras soluções, outros tipos de cotas”. Ele ainda ressalta: “daqui a pouco vão ter também cotas para os descriminados se sexualmente”.

Segundo o filósofo, o bom estadista é aquele que perde a alma pelo Estado. Ele também deixa explicita a sua insatisfação com o sistema Judiciário de hoje. “Eu não aguento mais ver sessões do Supremo em que juízes dão parecer de duas horas e pouco e os colegas também dão o parecer no de mais de duas horas, ou seja, virou espetáculo e dizem que estão fazendo justiça”.

Para o professor, o mercado é predador e o maior desafio do país é saber controla-lo. “O grande problema é como vamos controlar o mercado. As tentativas dos últimos anos foram desastrosas. Isso é controlado pela política”.

Sobre a corrupção: “o país pode entrar em decadência por décadas. Não adianta mais o grito generalizado contra a corrupção”. Para Giannotti, neste caso vale o ditado: ‘Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’.

Apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti, o Roda Viva contou, para esta edição, com uma bancada formada por: Laura Greenhalgh (editora executiva do jornal O Estado de S. Paulo e coordenadora dos cadernos Aliás, Sabático, e Caderno 2); Marcos Flamínio Peres (diretor de redação da revista Cult); Luciano Codato (professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp); Márcio Sattin (professor de Estética na Escola da Cidade); Angela Alonso (professora do departamento de Sociologia da USP e pesquisadora sênior do Cebrap).

Obra Completa de René Guenon em espanhol

René Guenon, assim como Mircea Eliade, é um pensador obrigatório para quem busca estudar os aspectos do sagrado, as raízes das grandes religiões, seus significados simbólicos e seus erros hermenêuticos. Com um conhecimento não só teórico mas também prático (Guenon realmente vivia nas religiões que estudava, conhecendo de dentro), o pensador francês nos proporcionou um vasto estudo sobre o islamismo, os ritos e símbolos vedas, as diversas correntes do cristianismo, dentre muitas outras. Uma fonte inesgotável sobre conhecimentos tradicionais, Guenon merece ser lido.

Link: https://sites.google.com/site/textostradicionales/ren-gunon-abdel-wahid-yahia

Vladimir Safatle – Aula 20/30 – ‘Fenomenologia do Espirito’, de Hegel

Curso Hegel

Aula 20

 

O longo período de greve nos obriga a iniciar esta aula através de uma recapitulação da introdução à seção “Razão”, isto a fim de nos orientarmos de maneira mais segura no comentário do sub-capítulo dedicado à “razão observadora”.

Lembremos, inicialmente, do projeto que marca a escrita da seção intitulada “Consciência e verdade da razão”. Se, na seção “Consciência”, foi questão da análise da relação cognitivo-instrumental da consciência com o objeto, e, na seção “Consciência-de-si”, questão da relação de reconhecimento entre consciências como condição prévia para o conhecimento de objetos, a seção “Razão” pode ser compreendida como a análise das operações da razão moderna em seus processos de racionalização; razão agora reflexivamente fundamentada no princípio de uma subjetividade consciente-de-si..

Nós vimos, já nos primeiros parágrafos, a definição operacional de “razão” com a qual Hegel trabalhará na Fenomenologia do Espírito: a razão é a certeza da consciência ser toda a realidade, ou seja, certeza de que o que aparece como outro tem a mesma estrutura da consciência-de-si:

Porque a consciência-de-si é razão, sua relação [Verhältnis], até agora negativa frente ao ser-outro [seja a perspectiva de uma outra consciência singular, seja as determinações empíricas do mundo], se converte em uma atitude positiva. Até agora, só se preocupava com sua independência e sua liberdade, a fim de salvar-se e conservar-se para si mesma, às custas do mundo ou de sua própria efetividade, já que ambos lhe pareciam o negativo de sua essência. Mas como razão segura de si mesma, a consciência-de-si encontrou a paz em relação a ambos, e pode suportá-los, pois está certa de si mesma como sendo a realidade (Realität), ou seja, está certa de que toda a efetividade não é outra coisa que ela[1].

Nós voltamos aqui àquilo que apresentei como postulado fundamental do idealismo: “A estrutura do objeto duplica a estrutura do Eu”, e não é por outra razão que Hegel compreende o idealismo como “figura” da razão, como momento histórico de posição do conceito da razão. Neste parágrafo vemos pois Hegel descrevendo uma mudança brutal de perspectiva: a consciência negava toda sua dependência essencial em relação ao ser-outro. Negação que a levou a afirmar-se contra o ser-outro, seja através de uma liberdade interior que era apenas figura do afastamento e da aniquilação do mundo (estoicismo e ceticismo), seja através de uma procura pela independência abstrata. No entanto, agora, a consciência está segura de ter se reconciliado com a realidade, ou seja: ‘ está certa de que toda a efetividade não é outra coisa que ela”, ‘ a consciência tem a certeza de que só a si experimenta no mundo”. Uma certeza vinculada à posição do princípio de subjetividade como fundamento do saber.

Assim, a partir da seção “Razão”, chegamos a um estádio de unidade entre consciência de objeto e consciência-de-si cuja realização perfeita nos levará ao saber absoluto. Há, desta forma, uma unidade de propósito nas quatro seções finais que compõem a Fenomenologia do Espírito, já que cada uma mostrará modos distintos de posição deste princípio de unidade. Entre as seções “Razão”, “Espírito”, “Religião” e “Saber Absoluto” não há exatamente um desenvolvimento progressivo, mas uma apresentação de  quatro perspectivas distintas de reflexão a respeito da unidade entre consciência de objeto e consciência-de-si. Neste sentido, a perspectiva apresentada na seção “Razão” é, desde o início, alvo de críticas claras da parte de Hegel. Nela,  Hegel procura configurar uma certa experiência da modernidade em direção à racionalização de suas esferas de valores; racionalização esta que alcança a forma de sua reflexão filosófica através do idealismo.

Lembremos, neste sentido, de um ponto já tematizado anteriormente. A modernidade, enquanto momento que procura realizar expectativas de auto-fundamentação nas múltiplas esferas da vida social, é vista por Hegel como processo histórico animado pelas promessas de uma razão una do ponto de vista de suas dinâmicas de racionalização. Isto significa, por exemplo, que os processos de racionalização que fornecem os fundamentos descritivos para a ciência moderna e seus métodos de observação são compreendidos como simétricos aos processos de racionalização em operação nos campos de interação social e na concepção de formas modernas de vida social. Isto significa também que os equívocos do primeiro serão simétricos aos equívocos do segundo.

Podemos dizer que esta é a perspectiva geral assumida por Hegel neste capítulo. Neste sentido, encontramos aqui o que poderíamos chamar de crítica hegeliana ao processo de modernização em suas dimensões: cognitivo-instrumental (razão observadora), prático-finalista (razão ativa) e jurídica (razão legisladora – que é, à sua maneira, um desdobramento da segunda). Tais dimensões correspondem, grosso modo, às três subdivisões da nossa seção: Razão observadora, Razão ativa ou A efetivação da consciência-de-si racional através de si mesma e, por fim, A individualidade que é real em si e para si mesma (embora, nesta subseção, o capítulo “O reino animal do espírito” permaneça mais próximo de considerações sobre a estrutura prático-finalista da razão em sua dimensão estético-expressiva)

            Dito isto, vimos como Hegel iniciava o capítulo a partir de uma crítica a perspectiva kantiana de compreender racionalização como categorização. Vimos como Hegel esboça uma crítica à centralidade das noções de categoria (predicados gerais de um objeto qualquer) e de unidade sintética de apercepções para as operações racionais do entendimento na sua configuração dos objetos do conhecimento. Não se trata, para Hegel, de colocar em questão a posição do princípio de subjetividade como fundamento para as operações da razão, mas se trata de afirmar que o idealismo aparecera até então como o resultado de um longo esquecimento do que estava em jogo no processo de formação da consciência-de-si. Daí porque ele pode dizer que a consciência: “deixou para trás esse caminho [de sua formação] e o esqueceu, ao surgir imediatamente como razão”[2]. Ou ainda, que o idealismo: “que começa por tal asserção (Eu=Eu) sem mostrar aquele caminho [do processo de formação do Eu] é por isto também pura asserção que não se concebe a si mesma”[3]. Na verdade, Hegel quer contrapor uma compreensão transcendental das estruturas da razão à descrição fenomenologia do processo de formação de seus conceitos (perspectiva que ele colocará em marcha na seção “Espírito”), em especial do processo de formação deste princípio fundamental que é a auto-identidade imediata do Eu penso e da centralidade da estrutura categorial do entendimento. Neste sentido, Habermas tinha razão ao afirmar que: “Hegel quer substituir a empresa da teoria do conhecimento pela auto-reflexão fenomenológica do espírito”[4].

Tal contraposição traz uma série de conseqüências. A principal delas diz respeito à tentativa hegeliana de dissociar princípio de subjetividade e princípio de identidade. O sujeito hegeliana não é locus da identidade imediata e, se o sujeito continua sendo fundamento do saber, isto traz conseqüências profundas para os modos de orientação do pensamento em suas múltiplas aspirações. Daí porque este capítulo se inicia com uma reflexão sobre o primado da subjetividade transcendental no idealismo, caminha em direção a uma apresentação de discursos científicos sobre a individualidade hegemônicos à época (fisiognomia e frenologia) e passa em revista, de forma crítica, a várias figuras do individualismo moderno em sua dimensão prática: o hedonismo faustiano, o sentimentalismo da Lei do coração, a recuperação do discurso da virtude natural e o individualismo romântico (O reino animal do espírito).

            Sobre o vínculo entre subjetividade e identidade no programa filosófico do idealismo, lembremos como Kant sempre insistiu que: “todo o diverso da intuição possui uma relação necessária ao Eu penso no mesmo sujeito em que esse diverso se encontra”[5]. Pois a ligação (Verbindung) do diverso em geral deve ser um ato da espontaneidade do sujeito. No entanto, esta ligação pressupõe a representação da unidade sintética do diverso construída a partir de pressuposições de identidade e diferença. Isto implica não apenas que todas as representações de objeto devem ser minhas (“o Eu penso deve poder acompanhar todas as minhas representações”) para que elas possam ser apropriadas reflexivamente. Mas implica fundamentalmente que, para que elas possam apropriadas reflexivamente, elas devem  ser estruturadas a partir de um princípio interno de ligação e de unidade que seja reflexivamente reconhecido pela consciência-de-si. Daí porque a regra de unidade sintética do diverso da experiência é fornecida pela estruturação da própria unidade sintética de apercepções, ou seja, pela auto-intuição imediata da consciência-de-si que: “ao produzir a representação eu penso, que tem de poder acompanhar todas as outras, e que é uma e idêntica em toda a consciência, não pode ser acompanhada por nenhuma outra[6]. As representações devem se estruturar a partir de um princípio de identidade que é, na verdade, a imagem do eu penso. Kant ainda é mais claro ao afirmar que: “O objeto é aquilo em cujo conceito está reunido o diverso de uma intuição dada. Mas toda a reunião das representações exige a unidade da consciência na respectiva síntese”[7]. Assim, quando Hegel constrói um witz  a dizer que, para a consciência, “o ser tem a significação do seu” (das Sein die Bedeutung das Seinen hat)[8], ele tem em vista o fato de que ser objeto para a consciência significa estruturar-se a partir de um princípio interno de ligação que é modo da cosnciência apropriar-se do mundo. Daí porque, Hegel pode afirmar que a consciência:

Agora avança para a apropriação universal (allgemeinen Besitznehumung) da propriedade que lhe é assegurada e planta em todos os cimos e em todos os abismos o signo (Zeichen) da sua soberania[9] [o termo é importante já que há uma crítica do signo neste sub-capítulo].

            Aqui fica mais claro a estratégia hegeliana de reconstituir as aspirações da razão através da reconstituição desta categoria fundamental, a saber, o sujeito como fundamento das operações de reflexividade. Pois questionada a possibilidade da auto-intuição imediata de si, são os postulados fundamentais de constituição de processos de identidade, diferença, unidade, ligação que estarão abalados. Por isto, Hegel dirá:

Porém a razão, mesmo revolvendo todas as entranhas das coisas e abrindo-lhes todas as veias a fim de ver-se jorrar dali para fora não alcançará essa felicidade [de ser toda a realidade], mas deve ter-se realizado (vollendent) antes em si mesma para depois experimentar sua plena realização (Vollendung)[10].

            Realizar-se em si mesma antes de se experimentar no mundo significa que a razão deve racionalizar inicialmente o que lhe serve de fundamento, ou seja, a individualidade, isto antes de saber como se orientar na experiência do mundo. Daí porque o trajeto do nosso sub-capítulo vai da física às “ciências da individualidade” enquanto paradigmas de constituição do objeto de observação científica. Desta forma, o caminho que Hegel escolhe para desdobrar tal questionamento passa pela exposição fenomenológica do trajeto da ciência moderna, ou antes, da razão efetiva (wirkliche Vernunft) na realização de sua certeza de ser toda a realidade. Pois no campo da ciência aparecerá, de maneira ainda imperfeita (e no interior de uma “falsa ciência da individualidade”, ou seja, da frenologia), o modo de duplicação entre o objeto “efetivo, sensivelmente presente” (wirkliche, sinnlich-gegenwärtige)[11] e um Eu que não se submete mais ao princípio de identidade.

            Ao final, veremos como a razão só poderá apreender o que é da ordem do fundamento de seus processos se abandonar a tentativa de compreender a confrontação com o objeto a partir das dinâmicas de “observação” da imediatez do ser ou da unidade imediata do Eu. Devemos compreender a razão como atividade (pensada a partir dos processos de desejo, trabalho e linguagem), e não como observação. Daí porque nosso sub-capítulo dará lugar a um outro, intitulado exatamente: a razão ativa.

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O Físico e o Filósofo

Publicado em: às abril 19, 2012 em 9:15 am  Deixe um comentário  
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[Canal Livre] Jesus realmente existiu? – Mário Sergio Cortella

Publicado em: às abril 18, 2012 em 10:56 pm  Comentários (6)  
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Vladimir Safatle – Aula 19/30 – ‘Fenomenologia do Espirito’, de Hegel

Curso Hegel

Aula 19

 

 

A partir desta aula, iniciaremos a análise da quinta seção da Fenomenologia do Espírito: “Consciência e verdade da razão”. Trata-se de uma seção extensa, tanto em tamanho quanto em aspirações. Se, na seção “Consciência”, foi questão da análise da relação cognitivo-instrumental da consciência com o objeto, e, na seção “Consciência-de-si”, questão da relação de reconhecimento entre consciências como condição prévia para o conhecimento de objetos, a seção “Razão” pode ser compreendida como a análise das operações da razão moderna em seus processos de racionalização; razão agora reflexivamente fundamentada no princípio de uma subjetividade consciente-de-si.. Neste sentido, encontramos aqui o que poderíamos chamar de crítica hegeliana ao processo de modernização em suas dimensões: cognitivo-instrumental (razão observadora), prático-finalista (razão ativa) e jurídica (razão legisladora – que é, à sua maneira, um desdobramento da segunda). Tais dimensões correspondem, grosso modo, às três subdivisões da nossa seção:

  • Razão observadora
  • Razão ativa ou A efetivação da consciência-de-si racional através de si mesma
  • A individualidade que é real em si e para si mesma (embora, nesta subseção, o capítulo “O reino animal do espírito” permaneça mais próximo de considerações sobre a estrutura prático-finalista da razão em sua dimensão estético-expressiva)

Lembremos, neste sentido, de um ponto já tematizado anteriormente. A modernidade, enquanto momento que procura realizar expectativas de auto-fundamentação nas múltiplas esferas da vida social, é vista por Hegel como processo histórico animado pelas promessas de uma razão una do ponto de vista de suas dinâmicas de racionalização. Isto significa, por exemplo, que os processos de racionalização que fornecem os fundamentos descritivos para a ciência moderna e seus métodos de observação são compreendidos como simétricos aos processos de racionalização em operação nos campos de interação social e na concepção de formas modernas de vida social. Isto significa também que os equívocos do primeiro serão simétricos aos equívocos do segundo.

Podemos dizer que esta é a perspectiva geral assumida por Hegel neste capítulo. A própria maneira com que o capítulo é organizado mostra isto claramente. Hegel parte de reflexões sobre certos protocolos de observação racional da natureza na física, na biologia e no que chamaríamos hoje de psicologia (fisiognomia, frenologia) a fim de alcançar a problemática do que conta como ação racional para os indivíduos em sociedade.

O recurso à individualidade neste contexto é fundamental. É o seu aparecimento com a exigência de só aceitar como válido o que pode ser reflexivamente posto que anima a constituição de formas modernas de vida social que aspiram fundamentação racional. Neste capítulo, que se inicia com uma reflexão sobre o primado da subjetividade transcendental no idealismo, Hegel passará em revista, de forma crítica, a várias figuras do individualismo moderno em sua dimensão prática: o hedonismo faustiano, o sentimentalismo da Lei do coração, a recuperação do discurso da virtude natural e o individualismo romântico (O reino animal do espírito). Ao final, veremos como estruturas sociais só poderão ser racionalmente fundamentadas quando passarmos do primado da individualidade ao primado do Espírito.

As aulas deste módulo serão em número de quatro e serão organizadas da seguinte forma: a aula de hoje será um comentário dos primeiros parágrafos da seção (até n. 239). A segunda aula visará fornecer um panorama geral da subseção “A razão observadora”. Pediria uma atenção especial para o último capítulo desta subseção: “Observação da relação da consciência-de-si com sua efetividade imediata: fisiognomia e frenologia” pois nos demoraremos mais nele. A terceira aula, será dedicada à subseção “a razão ativa” e a ênfase principal será dada ao subcapítulo entitulado “O prazer e a necessidade”. Por fim, a quarta aula será dedicada à subseção “A individualidade que é real em si e para si mesma” e a atenção especial será dada ao subcapítulo “O reino animal do espírito e a impostura – ou a Coisa mesma”.

            No entanto, antes de iniciarmos nossa leitura, gostaria de fazer algumas considerações gerais sobre a seção em questão e os desdobramentos do projeto inicial do livro. Estas questões são pertinentes porque, a partir deste ponto, a estruturação do livro segue uma divisão diferente do que foi anteriormente posto. Em um índice anexado posteriormente à impressão da obra, Hegel havia divido a Fenomenologia em três partes: A . Consciência. B. Consciência-de-si, mas C. ficou, de uma certa forma, vazio, já que o livro divide-se, a partir daí, em C (AA) Razão, C (BB) Espírito, C (CC) Religião e C(DD)  Saber absoluto. Por outro lado, o capítulo da Enciclopédia de 1830 dedicado à Fenomenologia do Espírito tem apenas três partes e termina em uma seção intitulada “razão” Isto levou alguns comentadores a acreditar que o projeto original do nosso livro terminaria na seção razão e que Hegel teria, no próprio processo de redação, modificado o projeto acrescentando as novas seções.

O que é certo é que, a partir da seção “razão, chegamos a um estádio de unidade entre consciência e consciência-de-si cuja realização perfeita nos levará ao saber absoluto. Há, de fato, uma unidade de propósito nestas quatro seções finais, já que cada uma mostrará modos distintos de posição deste princípio de unidade. Neste sentido, o “caráter progressivo” q            ue animava o desenvolvimento da Fenomenologia dá lugar a uma procura pela perspectiva possível de fundamentação de um “programa positivo para as aspirações de fundamentação da razão”. Daí porque: “é apenas após o capítulo sobre a razão que a Fenomenologia chega ao ponto que Hegel tinha inicialmente situado no capítulo sobre a consciência-de-si: essência e fenômeno se respondem, o espírito se mostra “essência absoluta sustentando-se a si mesmo”[1]. A partir de então, será a seção “espírito” que passará à condição de centro de gravidade da obra.

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Amit Goswami – O que é ativismo quântico?

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Isaac Asimov – Ameaças e Respostas à Humanidade (1989)

Asimov fala sobre como problemas como o Efeito Estufa são grandes demais para serem tomados por uma nação. A Humanidade deve estar no cerne das discussões a que ela se envolve.

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Publicado em: às abril 5, 2012 em 8:01 pm  Deixe um comentário  
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