Um pequeno ensaio sobre a linguagem – Uma potência inata no humano, em Platão e Aristóteles

Introdução

Como premissa de nosso pequeno texto, está o fato de que não podemos conceber a linguagem como simples produto de um meio ao qual o homem se encontra imerso. A semente da linguagem é humanamente inata, e por conseguinte, não se funda em meras convenções sociais, geográficas. Acreditamos, sim, que esse caráter inato da linguagem depende de um meio específico para “florescer”, entretanto, o meio não cria a linguagem, apenas a desperta. Buscaremos nas filosofias de Platão e Aristóteles, elementos que corroborem essa nossa premissa e, ao mesmo tempo, conclusão.

Platão, Aristóteles e a importância da linguagem

Para investigarmos a natureza da linguagem humana, precisamos acima de tudo, investigar a própria natureza humana.

A possibilidade da linguagem é inata ou não no homem? O início de nossa argumentação também será o nosso fim, pois tentaremos elucidar o leitor de que, indubitavelmente, a linguagem é uma potência inata no homem. Para isso usaremos argumentos de filósofos que se propuseram a tratar, pelo menos alguns aspectos da linguagem humana. Comecemos por Sócrates (ou Platão, que escreveu os diálogos).

Sócrates buscava, no início de suas investigações, respostas a respeito do ser das coisas a partir de elementos naturais, porém abandonou bem cedo o estudo da natureza (physis). No diálogo “Fédon”, Sócrates se decepcionará com os estudos da physis e se voltará para os estudos dos homens nas cidades. Esse abandono se dá pelo fato de que a natureza não exerce o logos, os animais, os campos, as árvores não consentiam em ensinar-lhe alguma coisa. Sócrates demonstrava que o homem se define por ser um animal racional, sua natureza era racional (como posteriormente dirá Aristóteles), e apenas o homem pode exercer o diálogo (dia – através, logos – discurso), “o através do discurso”, pois naturalmente desenvolvia a linguagem.O caráter inato da linguagem em Sócrates (ou Platão) pode ser inteligível através da teoria mítica da reminiscência, que Sócrates desenvolverá no diálogo “Mênon”. Sócrates explica a Mênon que a alma humana é imortal, conforme os ensinamentos de vários poetas, sacerdotisas e sacerdotes, e por ser imortal, as almas muitas vezes teriam viajado entre o reino terrestre e o reino dos mortos. Durante essa infinitude temporal, as almas teriam contemplado todas as coisas e teriam assim, tudo aprendido. Contudo, irremediavelmente através dessas viagens das almas, essa gigantesca sabedoria sempre desaparece e se perde no esquecimento.

Continuando a explicação, Sócrates afirma que a natureza inteira seria homogênea, tendo uma gênese comum, e sendo assim, nada impediria que os homens tivessem as vezes, alguma recordação mais fundamental. Uma recordação desse tipo é o que os homens chamam de “saber” (mathesis). Ora, a linguagem é um saber (e sendo um saber, está na alma, independentemente do corpo no qual está inserida) que possibilita a alma racional humana relembrar toda a sabedoria esquecida, pois apenas através do discurso (diálogo), das logoi (palavras humanas), esse conhecimento completo pode ser adquirido. Diferente dos outros animais, que não possuem a essência intrinsecamente humana, o logos.

Aristóteles também define o homem como um animal racional, e naturalmente social. Na “Política”, afirmará que o homem é muito mais que qualquer outro animal gregário, é um animal social. No decorrer do texto, dirá que a natureza nada faz sem um propósito, e o homem dentre todos os animais, é o único que possui o dom da fala, a linguagem. Outros animais, através da voz, podem indicar dor e prazer (“Sua natureza foi desenvolvida somente até o ponto de ter sensações do que é doloroso ou agradável e externa-las entre si”)¹, mas a fala possui a finalidade de indicar muito mais coisas, como o conveniente e o nocivo, e portanto o justo e o injusto. Contudo, o homem é o único animal que possui sentimentos sobre qualidades morais, e é a comunidade de seres com tais sentimentos que constitui a cidade. Os sentimentos morais são externalizados através da fala, da comunicação entre os homens, e se, para Aristóteles a vida política é a finalidade do homem, a linguagem foi dada naturalmente aos homens para atingir sua excelência (areté).

¹ Aristóteles, na Política; 1253ª.

2 comentários em “Um pequeno ensaio sobre a linguagem – Uma potência inata no humano, em Platão e Aristóteles

  1. Mas como è possivel a linguagem ao homem e nao ao outros aniamis? Se observamu ou por em experiencia um bebe recem nascidu por a uma cultura de animais selvagem sera que podera voltar a ter uma liguagem?

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