Resumo do “Discurso sobre o Método” de René Descartes


Por: André Luiz Avelino

Graduando em Filosofia – FFLCH – USP

Da necessidade de um método

A razão é igual em todos os homens, a diversidade de nossas opiniões não decorre de uns serem mais capazes de conhecerem a verdade do que outros, mas de conduzirem bem seus raciocínios, ao passo que outros os conduzem mal.

Consideração sobre as ciências

Ao terminar seus estudos, Descartes se vê repleto de dúvidas. Renuncia a procura da verdade nos livros e viaja para observar o mundo, o livro da vida. Mas, verifica uma grande diversidade e contradições nos costumes dos homens. Por fim, decide procurar a verdade em si mesmo.

Do método matemático à reflexão filosófica

Apenas os matemáticos encontrara algumas demonstrações, razões certas e evidentes, mas não possuíam um verdadeiro emprego a essas demonstrações, além dos utilizados na mecânica. Então, Descartes, corrigindo a lógica, a análise geométrica e a álgebra, uma pela outra, e reduzindo o número de preceitos, chega a um método composto por quatro regras:

1 – Receber escrupulosamente as informações, examinando sua racionalidade, aceitando apenas o indubitável, aquilo que se apresente de forma clara e distinta, o evidente;

2 – Dividir cada um dos problemas em exame em quantas partes forem necessárias (análise);

3 – Ordenar o que foi dividido partindo do mais simples, acrescendo por degraus de complexidade até o mais composto, supondo ordem entre aqueles que não procedam naturalmente uns dos outros (síntese);

4 – Enumerar e revisar de modo geral as conclusões, garantindo que nada seja omitido.

Descartes aplicou o método à geometria, resolvendo problemas, até o momento, insolúveis, então, certo de sua funcionalidade, o aplica a filosofia, que não possuía princípios que fossem certos.

Regras da moral provisória

Para estabelecer a dúvida a todos os conhecimentos (a aplicação da primeira regra do método) Descartes determina provisoriamente quatro regras a garantir-lhe uma vida tranquila e sua felicidade enquanto duvidava em busca do indubitável:

1 – Obedecer às leis e os costumes de seu país, conservando a religião de sua infância e seguindo as opiniões mais moderadas, dos homens mais sensatos com quem tinha de viver;

2 – Ser firme e resoluto em suas ações, seguindo as opiniões duvidosas determinadamente quando escolhidas;

3 – Vencer primeiramente a si mesmo, modificando os próprios desejos ao invés de buscar modificar a ordem do mundo;

4 – Cultivar a razão e o conhecimento da verdade, segundo o método, a melhor atividade dentre as que os homens se ocupam.

Aplicação do método à filosofia

Quanto aos costumes é preciso seguir opiniões duvidosas, mas quanto à busca da verdade, para Descartes, deve-se rejeitar tudo que supõe dúvida, em busca do indubitável, o claro e distinto – primeira regra do método.

O Cogito

Para duvidar, pensar que tudo é falso, é necessário pensar, sendo imprescindível que quem pense seja algo – Penso Logo Existo (primeiro princípio da filosofia), indubitável, claro e distinto, atendendo o critério pelo qual se reconhece uma verdade, a clareza e a distinção.

Analisando o que existe, o pensamento, Descartes examina o que ele é, um pensamento independente do corpo, que para existir não necessita de lugar, nem de alguma coisa material, uma substância pensante.

Da existência de Deus

A forma de evidenciar o eu (pensamento) é a dúvida; a dúvida é uma imperfeição; portanto reconheço-me imperfeito; para saber-se imperfeito é preciso ter a ideia de perfeição; qual a origem desta ideia de perfeição? Deve haver na causa tanta realidade quanto no efeito; portanto a causa de uma ideia de perfeição não pode ser senão um ser perfeito; logo, o Ser Perfeito existe.

Prova das coisas externas

Com a certeza da existência do Ser Perfeito, a existência do mundo exterior não sofre nenhuma dificuldade. O Deus cuja existência foi demonstrada é perfeito, logo verídico, e ele nos enganaria se nossas ideias claras e distintas fossem falsas; Portanto cabe a nós nos precaver sobre as sensações confusas e obscuras ou ilusões. Estamos seguros de não cometermos erro afirmando que a extensão geométrica existe, a única coisa do mundo exterior que percebemos clara e distintamente.

Segunda prova da existência de Deus

Procurando o que se apresenta de forma distinta e clara nas coisas exteriores, pensando na extensão geométrica e nos teoremas que dela demonstramos, toda certeza destas demonstrações dependem de serem concebidas evidentemente – por mais que não se reconheça a existência do triangulo, quando penso nele é necessário que seus três ângulos somados sejam iguais à soma de dois ângulos retos. Por conseguinte é certo que Deus existe como as demonstrações geométricas. Um ser perfeito necessariamente deve existir. Perfeição implica em existência.

Ordem das questões físicas

Descartes desenvolve a cadeia das verdades físicas que ele deduz de sua metafísica. Portanto tudo se explica na natureza pelos princípios da extensão geométrica e das leis do movimento deduzida da perfeição de Deus.

Dos animais

Os animais não têm alma, prova disto é que eles são desprovidos de razão, se eles tivessem razão, por mais pouca que fosse eles falariam, e o mais inteligente dos animais não fala, ao passo que o menos inteligente entre os homens fala. O que difere o ser humano dos animais é a capacidade do homem de responder ao meio criativamente, racionalmente, principalmente por meio da linguagem. Os animais são máquinas orgânicas complexas, como o corpo humano e o mundo (mecanicismo).

Das coisas requeridas às pesquisas da natureza

As experiências são tanto mais necessárias quanto mais estiverem avançados os conhecimentos. Pois, no início, mais vale servir-se apenas das que se apresentam por si mesmas aos nossos sentidos, as que não podemos ignorar desde que nos dediquemos a elas refletidamente, em vez de procurar as mais raras e complicadas. A razão disso é que as mais raras muitas vezes nos enganam, quando não conhecemos ainda as causas das mais comuns, e que as circunstancias das quais dependem são quase sempre tão específicas e tão pequenas que é muito penoso notá-las.

29 comentários em “Resumo do “Discurso sobre o Método” de René Descartes

  1. Gabriel disse:

    Muito legal, me ajudou muito!

  2. JOAO disse:

    RESUMO GRANDE EIM!

    • Paulo Abe disse:

      Caro, João.
      Você está economizando pelo menos 90% do livro original.
      Mas, não seja por isso, aqui no Phronesis, ajudamos, porém incentivamos a leitura das obras na íntegra.
      Att Paulo PP

  3. Michel disse:

    Obrigado pelo resumo…muito bom…

  4. carol disse:

    obrigado pelo resumo, me ajudou muito..

  5. Jessica disse:

    Muito bom, pra quem lá leu ao menos algumas partes, sabe que esse resumo dá uma super ‘clareada nas ideias’ vamos assim dizer.

    • Paulo Abe disse:

      Obrigado, Jéssica.
      Com certeza tudo fica mais claro ao ler o original.
      O que fazemos não passa de uma maneira de clarear as ideias e deixar a filosofia um pouco mais acessível que seja.
      Att Paulo Abe

  6. 271191 disse:

    muito bom me ajudou bastante.

  7. Mardoqueu disse:

    Legal o texto…. Descartes era um gênio!

  8. Daiane Silva disse:

    Parabéns, meu caro! Eu adorei seu texto. Muito obrigada pelo conhecimento que passares a mim nesse momento. Parabéns e continue assim.

  9. Maycon disse:

    Foi, sem sombra de dúvidas, de GRANDE ajuda!!!

  10. Sérgio E. Avelino disse:

    Valeu mano! Sensacional o seu trabalho. Abçs!!!

  11. kesia disse:

    obrigada foi de grande ajuda :)

  12. Andressa disse:

    Muuito bom, parabéns me ajudou muito :)

  13. Vivian disse:

    Muito obrigado, nossa ajudou mesmo.!!!

  14. elisa lima disse:

    gostei muito, estou fazendo o curso de histótia e a diciplina de piscologia estamos estudando rené adorei esse artigo parabéns!

  15. Denisson disse:

    Gostei! Continue resumindo obras nessa qualidade “para a nossa alegria…”

  16. Djiby disse:

    R. Descartes um maluco muito contraditório,porém confesso que ficou bem mais claro agora rsrs Valeu….Eu existo agora pq penso

  17. Geovana disse:

    Me ajudou muito na melhor compreensão da leitura, parabéns pela iniciativa!

  18. Gisleine Fregoneze disse:

    Paulo, vc saberia me dizer, se eu usar alguma frase dele, por exemplo a famosa, penso logo existo, como eu coloco a referência bibliográfica? Qual seria a obra dele, sei que é essa que vc apresenta no resumo,mas aqui não tem a referencia da obra original dele, achei uma referência, ..DESCARTES; René: Discurso do Método. Porto Alegre: L&PM, 2009. mas nãos sei estaria certo colocar, pois como achei na internet fiquei em dúvida, porque sei que ele não publicou nada em 2009. rsss não é? Pode me ajuda? obrigada.

    • Paulo Abe disse:

      2009 é a publicação da editora.
      Você pode sim suar essa referência. Só falta o número da página que você deve achar nesse seu livro.
      Caso não ache, tente no site do “Domínio Público”.
      Ou em algum de nossos arquivos aqui no site mesmo.

      Qualquer outra dúvida, não hesite em perguntar.

  19. naiara disse:

    muito legal as resposta mais um pouco grante para colocar no trabalho mas amei de saber que existes pessoas como vcs que realmente sabem sobre filosofia até pq ela e uma das matérias mais bem vistas ameiiiii

  20. Ibrahimo Dlamine disse:

    Boa tarde,xtou grato pelo teu resumo vou mi inspirando nele pra resumir.

  21. Parabéns. Muitas vezes lemos certas obras e ficamos preocupados se estamos certos como analisá-los. Com esse breve resumo clareou muito bem o ue li sobre os pensamentos desse gênio.

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