Hinduismo – Somos Almas Espirituais Puras

 

Há muito tempo atrás havia um poderoso sábio chamado Astãvakra Rsi. O Sábio tinha um corpo torto em oito partes diferentes e quanto andava seus movimentos eram muito estranhos e desajeitados. O sábio também era muito feio e as pessoas comuns constumavam rir ao vê-lo. Embora externamente fosse desajeitado e deformado, internamente seu coração era puro, pois ele havia realizado sua identidade transcendental eterna. Ele havia entendido e realizado a diferença entre o corpo e a alma.

Certa vez Astãvakra Rsi foi convidado pelo grande rei Mahãrãja Janaka para comparecer a uma assembleia de pessoas santas. Quando ele entrou na ssembleia, todos começaram a rir dele. Astãvakra Rsi também começou a rir ao ouvi-los. Os membros da assembleia ficaram surpressos e disseram uns aos outros: “Nós estamos rindo dele, mas ele está rindo mais alto que nós. Porque será”?

Mahãrãjã Janaka se levantou de seu trono e perguntou a Astãvakra Rsi: “Por que você está rindo tão alto”?

O sábio respondeu: “Eu pensei que estivesse me reunindo numa assembleia de santos e sábios, mas por engano, me deparei com uma convenção de sapateiros. O interesse do sapateiro reside somente no couro e na pele, ele csomente vê a boa ou má qualidade da pele. O seu interesse é ver se a pessoa é boinite ou feia, saudável ou inválida, jovem ou velha. Suas mentes estão absortas nessas coisas temporárias. Vocês não estão vendo a minha alma como as pessoas santas fariam. Das importância ao corpo temporário e externo, esquecendo-se da alma eterna que habita nele é simplesmente uma ilusão.

As apalvras de Astãvakra Rsi penetraram profundamente o coração de Mahãrãjã janaka. Ele compreendeu que o sábio era uma alma liberada e digna de se sentar no trono. Com grande honra ele ofereceu seu próprio trono para o sábio, curvou-se diante dele e aceitou como seu mestre espiritual instrutor.

 

Srila Bhaktivedãnta Nãrãyana Gosvãmi Mahãrãja. Segredos do eu oculto. P. 12-3

Publicado em: às março 25, 2010 em 12:55 pm  Deixe um comentário  

Conto Zen – A morte da xícara de chá

Era uma vez um grande mestre do Zen, uma escola de ensinamentos do Buda que tem uma maneira muito realista de encarar as coisas da vida. Esse grande mestre chamava-se Ikkyu. Desde pequeno mostrava grande inteligência e sempre encontrava uma maneira de resolver seus problemas.

Um dia, o menino estava brincando e deixou cair uma xícara de chá, que foi ao chão e se despedaçou. Acontece que a xícara pertencia ao mestre de Ikkyu. Era muito antiga e preciosa, e o mestre do menino a estimava muito. Preocupado com o acidente, Ikkyu ouviu o mestre chegar e, muito depressa, escondeu os pedaços da xícara atrás das costas. Quando o mestre apareceu, Ikkyu perguntou:

– Por que as pessoas morrem?

– É algo natural — respondeu o mestre. — Tudo tem um tempo de vida e depois morre.

Depois dessas palavras do mestre, Ikkyu lhe mostrou os pedaços da xícara quebrada.

Este conto faz parte do livro de coletânea Contos Budistas, recontados por Sherab Chödzin e Alexandra Kohn,  ilustrados por Marie Cameron, editado no Brasil pela Editora Martins Fontes, tradução de Monica Stahel, São Paulo, 2003

retirado do blog para ser zen

Publicado em: às janeiro 30, 2010 em 2:37 pm  Deixe um comentário  
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Zen – O sabor do zen

Minagawa Shunzaemon, célebre poeta muito apegado à rima e adepto do zen, ouviu falar num famoso mestre zen, Ikkyu, chefe do templo de Daitoku-ji, situado na região dos campos violeta. Desejando tornar-se seu discípulo, foi visitá-lo. À entrada do templo, entabularam o diálogo.
Ikkyu perguntou:
- Quem és tu?
- Um budista – respondeu Minagawa
- De onde vens?
- Da vossa província…
- Ah!… E que tem acontecido ali nos últimos dias?
- Os corvos crocitam, os pardais chilream.
- E onde crês estar agora?
- Nos campos violeta.
- Por quê?
- As flores, essas glórias da manhã… o áster, o crisântemo, o açafrão…
- E quando murcham?
- É Myiagino (campo decantado pela beleza das flores de outono)
- Que acontece nesses campos?
- Ali flui o rio, varrido pelo vento.
Estupefato ao ouvir tais palavras, que tinham o sabor do zen, Ikkyu levou-o para seu quarto e ofereceu-lhe chá. Em seguida compôs, de improviso, os seguintes versos:

” Um prato delicado eu quisera te dar,
Mas ai de mim, o zen nada pode ofertar…”

Respondeu o visitante:

” O espírito que só pode oferecer-me o nada
é o vazio original
Iguaria delicada entre as mais “

Profundamente comovido, o mestre concluiu:
- Meu filho, aprendeste muito !!!

Texto retirado de http://contos-zen.blogspot.com/

Publicado em: às dezembro 9, 2009 em 10:41 pm  Deixe um comentário  
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Zen – O som do calhau, o som do bambu

Um dia em que Kyogen varria o jardim à frente do eremitério, rolou montanha abaixo um calhauzinho que foi bater num bambu. O som fê-lo despertar e ele, assim, obteve o satori perfeito.
No rinzai, é costume dizer que o satori chega de repente. Mas o que é o satori? Antes dessa experiência, ele alimentara sempre uma dúvida. Dia após dia, não se sentia satisfeito. Seu mestre, Issan, lhe dizia:
- És inteligente mas leste sutras em demasia. Tua inteligência do zen provém da memória dos sutras! Não podes obter o shiho (a transmissão, a certificação do mestre ao discípulo). Procura retornar ao período do teu nascimento, quando não podias compreender em que direção ficavam o leste e o oeste, e volta a falar-me nisso.
Ele queimou incontinenti todos os seus livros, seus sutras, seus cadernos. Chorou. Deixou o dojo do mestre, foi para a montanha e passou a viver sozinho. Fez zazen sozinho durante um ano, dois anos. Um dia, escutando o som do bambu ferido por uma pedra, despertou de todo e suas dúvidas tiveram fim: “Fui estúpido até hoje”. Compôs um poema: ” Tudo esqueci. Dei cabo das idéias que me atochavam o espírito. Minhas complicações tiveram fim.”
Fez sampai na direção do mestre, Issan, e queimou incenso. Enviou o poema ao mestre, que disse: “Esse rapaz, meu discípulo, compreendeu”.
E concedeu-lhe o shiho.
Inspirado nessa história, Deichi fez um poema:
“Pelo som de um choque
Ele esqueceu todo seu saber”.

texto retirado de: http://contos-zen.blogspot.com/

Publicado em: às dezembro 9, 2009 em 10:28 pm  Deixe um comentário  
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Koan – Bom gosto

Outro koan. Um mestre oferece um melão a um discípulo.
- Que te parece o melão? – pergunta-lhe. – Tem bom gosto?
- Sim, sim ! Muito bom gosto! – ouve o discípulo.
O mestre faz então outra pergunta:
- O que é que tem bom gosto, o melão ou a língua?

(Para virar um koan, recortei o começo de um conto retirado de

http://contos-zen.blogspot.com/)

Publicado em: às dezembro 9, 2009 em 10:21 pm  Deixe um comentário  
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O Zen é intransitivo

Monja-Coen-MG-web.jpg

Zazen literalmente significa Sentar Zen. Zen é uma palavra que vem do Sânscrito Dhyana ou Jhana e significa um estado meditativo profundo. Geralmente não chamamos o Zazen de meditação, pois o verbo meditar é transitivo direto, ou seja, requer um objeto. Meditar sobre a vida, meditar algo. Enquanto que o Zen é intransitivo. Não há objeto de meditação. Até o sujeito desaparece. E quando isso acontece o Caminho se manifesta em sua plenitude.

Monja Coen (de um folheto do Retiro O Caminho Zen)


Nota do blog: zazen, foto da Monja Coen num retiro em Minas Gerais; se desejar ler mais por favor acesse: http://www.monjacoen.com.br/

Retirado do blog: http://paraserzen.blogspirit.com/

Publicado em: às novembro 30, 2009 em 9:34 am  Deixe um comentário  
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Conto – A prisão dos conceitos – Beleza e Feiúra

Sidarta tinha um discípulo leigo, um guerreiro chamado Manjushri, conhecido como alguém muito esperto que pregava peças. Entre os alunos queridos de Manjushri estava um monge muito diligente e respeitado, bem conhecido por sua “meditação da feiúra”, método prescrito — entre muitos outros — para aqueles que são guiados pelo desejo, que têm muita paixão. Isso envolve imaginar todos os seres humanos como sendo feitos de veias, cartilagem, intestinos e tal.

Manjushri decidiu testar o diligente monge usando seus poderes sobrenaturais. Ele se transformou em uma bela ninfa e apareceu para seduzí-lo.

Por algum tempo, o bom monge permaneceu incorruptível, sem mover nem um músculo. Mas Manjushri provou ser esmagadoramente sedutor, e o monge começou a cair no feitiço. Ele estava surpreso porque, durante muitos anos de meditação, resistiu com sucesso às mulheres mais bonitas de sua terra.

Chocado e desapontado consigo, o monge fugiu. Mas a ninfa o perseguiu, até que o exausto monge caiu no chão.

Assim que a mulher sedutora ia chegando, ele pensou: “É isso, essa bela garota agora vai me abraçar”. Fechou os olhos com força e esperou, mas nada aconteceu. Quando finalmente abriu os olhos, a ninfa havia se desfeito em pedaços e Manjushri apareceu, dando risada.

“Pensar que alguém é bonito é um conceito”, ele disse. “Se apegar a esse conceito te confina, te amarra em um nó e te aprisiona. Mas pensar que alguém é feio, isso também é um conceito, e isso também vai te amarrar”.

Dzongsar Khyentse Rinpoche (1961 ~)
“What Makes You Not a Buddhist”

Publicado em: às novembro 24, 2009 em 8:52 am  Deixe um comentário  
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Conto Zen – A bicicleta

Um mestre Zen viu cinco dos seus pequenos discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas.
Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes:

“Por que vocês andam com suas bicicletas?”

O primeiro discípulo disse:

“A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batata. Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!”

O mestre elogiou o primeiro aluno:

“Você é um rapaz muito inteligente! Quando você crescer você não andará curvo como eu ando.”

O segundo discípulo disse:

“Eu adoro ver as árvores e os campos por onde passo!”

O mestre elogiou o segundo discípulo:

“Seus olhos estão abertos e você enxergará o mundo.”

O terceiro discípulo disse:

“Quando eu pedalo minha bicicleta eu fico feliz e cheio de “mio rengue quio” (energia).

O mestre louvou o terceiro estudante:

“Sua mente se expandirá com a suavidade de uma roda novamente centrada.”

O quarto discípulo falou:

“Pedalando minha bicicleta eu vivo em harmonia com todas os seres sencientes.”

O mestre ficou feliz e disse ao quarto estudante:

“Você pedala no caminho dourado da bondade.”

O quinto aluno disse:

“Eu pedalo minha bicicleta por pedalar”.

O mestre sentou-se aos pés do quinto estudante e disse:

“Sou seu discípulo.”

Postado por Jeane Dal Bo.
http://bossazen.blogspot.com/

Publicado em: às novembro 24, 2009 em 8:44 am  Deixe um comentário  
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Conto Zen – A atenção à realidade

Certa vez um Mestre mandou que chamassem determinado discípulo, que se encontrava recluso em sua cabana, nos arredores de um mosteiro Zen.
Este discípulo já estava com este Mestre há anos, treinando sob sua direção.
Como o Mestre tinha muitos discípulos, era difícil de se conseguir uma entrevista particular com ele.
O discípulo achou inusitado o fato do Mestre estar chamando-o para uma conversa. Começou a ficar excitado, pensando: “o que será que o Mestre deseja de mim?”, “será que ele vai me perguntar alguma coisa sobre o Dharma, para me testar?”, “será que ele deseja me atribuir algum cargo ou tarefa?”.
Com a mente repleta de pensamentos, pôs-se o monge a andar. Como estava chovendo, levou seu guarda-chuva. Ao chegar à casa do Mestre, ele fechou o guarda-chuva, colocou-o a um canto. Pôs suas sandálias molhadas do lado do guarda-chuva. Na frente do Mestre, fez as mesuras que mandam a etiqueta monástica e sentou-se.
O Mestre então foi logo perguntando:
- Quando você entrou aqui, de que lado do guarda-chuva você deixou suas sandálias?
O monge discípulo não conseguiu se lembrar com certeza… O Mestre então declarou:
- Volte para sua cabana e medite!
Desta maneira, o Mestre quis dizer que meditação e vida cotidiana são uma única realidade. Não podemos separar a nossa vida diária do ato de atenção com que devemos fazer todas as coisas. O discípulo estava separando, e vendo que ainda não estava preparado o suficiente o Mestre recomendou que ele voltasse para sua cabana e meditasse mais. A prática budista é no dia-a-dia.
Publicado em: às outubro 25, 2009 em 4:54 pm  Deixe um comentário  
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Conto Zen – O monge e o padeiro

(Monge Ryôtan Tokuda, originalmente publicado no Bodisatva).

Havia uma padaria em frente a um templo budista. O monge do templo precisou viajar e pediu que o dono da padaria cuidasse do templo e atendesse às visitas. Ocorre que chegou um monge viajante à aldeia.

Antigamente, os monges viajavam, numa espécie de treinamento monástico, visitando outros monges, mestres e mosteiros. Desafiavam os mais fortes no Dharma e mantinham-se treinando. O recém chegado também praticava assim. Nessas ´batalhas do Dharma´, com perguntas e respostas, quem perdia era obrigado a deixar o templo; quem ganhava podia ficar como responsável. Uma batalha do Dharma era algo muito sério. Não era uma batalha de luta, mas de conhecimento, de experiências, de linguagem.

O monge visitante estava chegando e o dono da padaria, preocupadíssimo, ouvia a sugestão do chefe da aldeia: “Raspe a cabeça, coloque o manto e apenas sente-se diante da parede como se estivesse meditando. Faça como se estivesse em treinamento de silêncio, nada fale, nem escute e nem responda”.

O dono da padaria se animou: “Ah, é fácil, isso eu posso fazer.” Raspou a cabeça, colocou o manto e sentou-se voltado para a parede.

Nisso chegou o monge visitante e começou a fazer perguntas sobre o Dharma. O dono da padaria assumiu um tom grave e fez “Shhh”. O monge entendeu, “Ah, ele está fazendo muitos dias de treinamento em silêncio, mas já que estou aqui depois de tão longa caminhada nas montanhas, vou aproveitar e perguntar com gestos, assim ele também pode responder com gestos, sem quebrar o voto de silêncio”.

Gesticulando, o monge perguntou, “como é o seu coração, seu espírito?” O dono da padaria respondeu com um grande gesto para as dez direções, ou seja, os quatro pontos cardeais, os quatro pontos médios entre eles, para cima e para baixo: “meu coração é como o oceano”.

Veio a segunda pergunta, “como viver neste mundo?”, e o dono da padaria mostrou os cinco dedos da mão, os cinco preceitos: não matar, não roubar, não cometer adultério, não conduzir os outros a erros, não usar intoxicantes. O monge sentiu-se tocado, “ah!, que bonito!” E mostrou três dedos da mão, perguntando, “onde estão as três jóias, o Buddha, o Dharma, a Sangha?” Ao que o dono da padaria respondeu com o punho, “não procure longe, está aqui muito perto, perto do olho, está aqui.”

Impressionado, o monge viajante foi embora.

Vendo isso, o chefe da aldeia correu até o padeiro, “o que aconteceu? Ele foi embora muito impressionado, me conte!” E o dono da padaria explicou, “aquele monge é muito estúpido. Primeiro, fez um gesto com as mãos, perguntando quanto custava o pão, se o pão da loja era muito pequeno, e eu abri bem os braços, mostrando que meu pão é bem grande. Ele perguntou quanto custam dez pães e eu mostrei-lhe cinco dedos, dizendo cinco moedas, mas ele me mostrou três dedos, pedindo que vendesse por três, e eu pensei, que sem vergonha, e por pouco não lhe acertei um soco no olho!”

Publicado em: às outubro 25, 2009 em 3:11 am  Deixe um comentário  
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