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Toda forma que vês As belas figuras que viste, Enquanto a fonte é abundante, A alma é a fonte, Desde que chegaste ao mundo do ser, Finalmente foste feito homem, Quando tiveres cumprido tua jornada, Passa de novo pela vida angelical, Abandona este filho que chamas corpo
Retirado de: http://www.sertaodoperi.com.br/poesiasufi/poesia/indice.htm |
Arquivo da categoria: Sufi
Rumi – Sama
A Poesia dos Países Árabes
A Poesia dos Paises Arabes - Clique Aqui para Download Abdul Rehman Mangá 12/05/2011
Abdullah Ansari – [As duas Caabas]
Abdullah Ansari, outro grandioso místico sufi.(1006-1088)
Falando do Amor e União com o Amado Deus, ou da Caaba do Coração, como ele chama.
”Mesmo uma prisão
Irradia felicidade
Se o amor por Ti
Enche o coração.
Abençoada é a escravidão
Que Teu serviço compele,
Teus servos são felizes
Em suas servidões.
Há duas Caabas
A Caaba construída na terra
E a Caaba do coração.
A primeira é aquela que os pés
Dos peregrinos freqüentam;
A outra é o local secreto
Que os Buscadores da Verdade descobrem.
É a primeira
Que enche os olhos dos fiéis;
A outra, apenas o devoto encontra
Sob o olhar de Deus mesmo.
A peregrinação à Caaba terrestre
É uma questão de disciplina formal;
A descoberta da Caaba do coração,
Depende da graça de Deus.
Numa, os peregrinos bebem do poço do Zam-Zam;
A outra abre suas fontes
Ao manar dos suspiros.
A Caaba terrestre
É guardada pela montanha Irfat,
O templo do coração
É radiante com a luz de Deus.
Da Caaba terrestre
ídolos de pedra foram removidos;
Da Caaba do coração
A voracidade e o desejo são destronados.”
As Invocações de Abdullah Ansari
Editora Dervish
Fonte: http://zen-biduga.blogspot.com
Nota: As poesias sufis não têm título. Todas são postas por tradutores ou outros que não seus autores.
Hakim Sanai – [Ele sempre sabe]
HAKIM SANAI – Escritor, poeta e filósofo sufi – 1044-1150.
ELE SEMPRE SABE:
Ele conhece previamente teu mais íntimo pensamento. Ele percebe o que as suas criaturas necessitam antes mesmo que tenham concebido seu desejo.
Ele sabe do passo de uma formiga sobre uma pedra na escuridão.
Ele sempre sabe o que se passa na mente dos homens: farias melhor se refletisses sobre isso.
Se ages mal, há duas maneiras de encará-lo: ou pensas que Ele não o sabes, – e me espanto com a tua falta de fé ou então pensas que Ele sabe, ainda assim persistes, – e me espanto tua vil impertinência.
Podes ser verdade que nenhum homem conheça teus segredos; mas Deus os conhece; Ele não é menos que um homem; certamente isto significa que ele conhece teu coração?
Então te afasta deste malfeito, para que em teu último dia não te afogues no mar de tua própria vergonha.
Fonte: O Jardim Amuralhado da Verdade – Hakim Sanai – Edições Dervish.
Fonte: http://lucio-vergel.blogspot.com
Hakim Sanai – [Ele é o teu pastor]
HAKIM SANAI – Escritor, poeta e filósofo sufi – 1044-1150.
ELE É O TEU PASTOR:
Ele é o teu pastor e preferes o lobo.
Ele te convida a si, no entanto permaneces sem alimento.
Ele te dá a sua proteção, no entanto estás profundamente adormecido.
Bem feito para ti, tolo, insensato e presunçoso!
Ele cura nossa natureza desde dentro.
Ele é mais bondoso conosco do que nós mesmos o somos.
Uma mãe não ama seu filho com metade do amor que Ele dedica.
Sua bondade torna o indigno digno; e em troca Ele se contenta com a gratidão e paciência do seu servo.
Quebraste tua palavra, ainda assim Ele mantém sua palavra contigo: Ele é mais leal do que o és contigo mesmo.
Fonte: O Jardim Amuralhado da Verdade – Hakim Sanai – Edições Dervish.
Fonte:
Rumi – [A Casa dos Hóspedes]
O ser humano é uma casa de hóspedes.
Toda manhã uma nova chegada.
A alegria, a depressão, a falta de sentido, como visitantes inesperados.
Receba e entretenha a todos
Mesmo que seja uma multidão de dores
Que violentamente varrem sua casa e tira seus móveis.
Ainda assim trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar te limpando
para um novo prazer.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
encontre-os à porta rindo.
Agradeça a quem vem,
porque cada um foi enviado
como um guardião do além.
Rumi – [Sama]
Sama
Vem, vem, tu que és a alma
da alma da alma do giro!
Vem, cipreste mais alto
do jardim florido do giro.
Vem, não houve nem haverá
jamais alguém como tu.
Vem e faz de teus olhos
o olho desejante do giro.
Vem, a fonte do sol se esconde
sob o manto da tua sombra.
És dono de mil Vênus
nos céus desse remoinho.
O giro canta tuas glórias
em mil línguas eloqüentes.
Tento traduzir em palavras
o que se sente no giro.
Quando entras nessa dança,
abandonas os dois mundos;
é fora deles que se encontra
o universo infinito do giro.
Muito alto, distante se vê
o teto da sétima esfera,
mas muito além é que encontras
a escada que leva ao giro.
O que quer que exista, só existe no giro;
quando danças, ele sustenta teus pés.
Vem, que este giro te pertence
e tu pertences ao giro.
O que faço quando vem o amor
e se agarra ao meu pescoço?
Seguro-o, aperto-o contra o peito
e arrasto-o para o giro!
E quando as asas das mariposas
abrem-se ao brilho do sol
todos caem na dança, na dança
e jamais se cansam do giro!
Obs: Muito provável que o “giro” se refira à dança que Rumi inventou que simula o movimento dos planetas no sistema solar.
Nossa canção Vitoriosa!
Nesse dia final,
quando me ponham a mortalha,
não penseis que minha alma
permanecerá neste mundo.
Não chores por mim, gritando:
“Que tragédia, que tragédia!”
Cairias assim nas armadilhas
de um enganoso espelhismo.
Essa seria a verdadeira tragédia!
Quando vires meu corpo inanimado passar,
não griteis: “Se foi!, se foi!”,
pois será meu momento de união,
de aceitar o abraço eterno do Amado.
Quando me introduzirem na cova,
não me digais: “Adeus, adeus!”
A tumba é apenas um véu
que oculta o esplendor do Paraíso.
Pensa na aurora se houveres visto o ocaso.
Que dano fez pôr-se à Lua ou ao Sol?
O que é crepúsculo a vossos olhos
É alvorada para mim.
O que é para vocês uma prisão
É para minha alma um infinito jardim.
Crescerá toda semente no solo enterrada.
Haveria de ser diferente à semente humana?
Sai cheio cada balde que desce ao poço.
Deveria queixar-se me em vez de água
Retiro o próprio José (a beleza)?
Não busqueis aqui as palavras,
Busca-as em outro lugar.
Canta para mim no silêncio do coração
E me erguerei da terra para ouvir
Vossa vitoriosa canção.
Rumi – [Quem está em minha porta?]
«_Quem está em minha porta?», perguntou Ele.
«Teu humilde servo», respondi eu.
«_Que é o que te traz aqui?»
«Saudar-te, me Senhor.»
«_Quanto tempo mais viajarás?»
«_Até que TÚ me detenhas.»
«_Quanto tempo mais ferverás no fogo?»
«_Até que esteja purificado. Este é meu juramento:
No altar do amor entrego riqueza e posição.»
«Tens defendido teu caso mas não tens testemunhos.»
«Minhas lágrimas são minhas testemunhas,
a palidez de meu rosto são minhas provas.»
«Teu testemunho não tem validade:
Teus olhos estão demasiado úmidos para ver.»
«_Pelo esplendor de Tua justiça
meus olhos tornaram-se limpos e sem imperfeição.»
«_Qué buscas?»
«_Ter-te como Amigo permanente.»
«_Que queres de Mim?»
«_Tua abundante Graça.»
«_Quem foi teu companheiro na viagem?»
«_O pensamento de Ti, meu Rei.»
«_Que é o que te trouxe aqui?»
«A fragrância de Teu vinho.»
«_Que é o que mais te agrada?
«_A companhia do Soberano.»
«_Que é o que n’Ele encontras?»
«_Centenas de milagres. »
«_Por que está o palácio deserto? »
«_Porque todos temem ao ladrão.»
«_Quem é o ladrão? »
«_Quem me mantenha apartado de Ti. »
«_Aonde encontras segurança? »
«No serviço e na renúncia.»
«_Que te oferece a renúncia? »
«_A esperança de saIvação»
«_Onde se acha a graça?»
«_Na presença de Teu amor.»
«_Como te aproveitas desta vida?»
«_Mantendo-me fiel a mim mesmo.»
Chegado está o momento do silêncio.
Se lhes falo de Sua verdadeira essência,
sairás de vosso ser voando,
E nem porta nem telhado os poderiam reter!
Obs: poesia sufis não têm títulos.




