Rumi – [Não encontrarás]

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Segura o manto de seus favores,

Pois ele logo desaparecerá.

Se o retesa como a um arco,

Ele escapará como flecha.


Vê quantas formas ele assume,

Quantos truques ele inventa.

Se está presente em forma,

Então há de sumir pela alma.


Se o procuras no alto céu,

ele brilha como a lua no lago;

entras na água para capturá-lo

e de novo ele foge para o céu.


Se o procuras no espaço vazio

lá está, no lugar de sempre;

caminhas para este lugar

e de novo ele foge para o vazio.


Como a flecha que sai do arco,

Como o pássaro que voa da tua imaginação,

O absoluto há de fugir sempre

Do que é incerto.


“Escapo daqui e ali,

Para que minha beleza

Não se prenda a isso ou aquilo.

Como o vento, sei voar,

E por amor à rosa, sou como a brisa;

Também a rosa há de escapar do outono.”


Vê como se eclipsa este ser:

Até seu nome se desfaz

Ao sentir tua ânsia de pronunciá-lo.


Ele te escapará à menor tentativa

De fixar sua forma numa imagem:

A pintura sumirá da tela,

Os signos fugirão de teu coração.


RUMI, Jalal ud-Din. Poemas Místicos Divan de Shams de Tabriz. Attar Editorial. Pp118-119

Obs: Os Poemas não possuem títulos. Os títulos do livro foram escritos pelo tradutor José Jorge de Carvalho

Publicado em: às abril 15, 2009 em 2:15 pm  Deixe um comentário  
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O Encontro de Dois Oceanos – Jalal ud-Din Rumi e Shams de Tabriz

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As Três Versões de “O encontro de dois oceanos”.

Vindo de madrassa (escola religiosa muçulmana) acompanhado de seus discípulos, Rumi cavalgava um burrico. Ao passar perto de um caravançarai, um homem que estava à margem do caminho pôs-se à sua frente e dirigiu-lhe a seguinte pergunta: “Tu, que és o grande conhecedor de teologia e das escrituras, respondeu-me: quem é maior, o CS011093Profeta Mohammed ou Mayazid Bistami?” – Rumi respondeu sem hesitar: “Mohammed foi sem dúvida o maior de todos os santoe e profetas”. – “Se é assim”, replicou Shams,”como explicas que Mohammed disse: ‘Não te conhecemos, Senhor, como dever ser conhecido’, enquanto Bayazid exclamava: ’Glória a mim! Imensa é minha glória.’?” Ao ouvir isso, Rumi desmaiou. Quando despertou, levou Shams para sua casa e lá ficaram a sós, em santa comunhão por quarenta dias.

Segundo outra versão desse encontro, Rumi ensinava seus discípulos em sua casa e tinha diante de si uma pilha de livros. Durante a aula um homem entrou e, após cumprimentar os presentes, sentou-se num canto da sala. Apontando para os livros, o visitante perguntou: “O que é isso?” Rumi, incomodado pela interrupção, respondeu secamente: “Tu não sabes o que é isso”. Imediatamente os livros incendiaram-se. Perplexo e assustado, Rumi dirigiu-se ao estranho: “O que é isso?” O estranho apenas repetiu: “Tu não sabes o que é isso”, e retirou-se tranquilamente da sala. Rumi abandonou a classe e saiu desesperado em busca do estranho, mas não pôde encontrá-lo.

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Um terceira versão da mesma história foi contada por Jami, grande poeta persa do séc. XV:

Enquanto falava a seus discípulos, Rumi empilhara seus livros à borda de um tanque. Shams apareceu e perguntou o que continham aqueles livros. Rumi respondeu: “Aqui só há palavras, em que te podem interessar?” Shams ud-Din apanhou os livros e jogou-os dentro d’água. Rumi esbravejou, furioso: “O que fizeste, dervixe? Alguns desses livros continham manuscritos importantes de meu pai, que não se encontram em nenhum outro lugar”. Então, para o espanto de Rumi e dos discípulos, Shams enfiou a mão no fundo do tanque e retirou intactos, um a um, todos os livros. Maulana (Rumi) lhe perguntou: “Qual o segredo?” Shams ud-Din respondeu: “Isso é que se chama prazer ou desejo de Deus (dhawq), e êxtase ou estado espiritual (Hal); tu não sabes nada o que é isso”.

RUMI, Jalal ud-Din. Poemas Místicos DIvan de Shams de Tabriz. Attar Editorial. PP.15-16

Publicado em: às abril 11, 2009 em 9:31 pm  Deixe um comentário  
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