Agostinho – Análise do parágrafo “Cantando as Perfeições de Deus”.
Cantando as Perfeições de Deus.
Que sois, portanto, meu Deus? Que sois Vós, pergunto, senão o Senhor Deus? “E que outro Senhor há além do Senhor, ou que outro Deus além do nosso Deus?” Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo,
Nesta primeira parte deste parágrafo, Agostinho se propõe a dar ênfase na questão de que este é o único Deus; o Deus cristão; o Deus bíblico; Os demais são apenas um engano. Ele demonstra isto com perguntas retóricas, mostrando uma certa obviedade no assunto. Logo, O qualifica até onde a palavra pode alcançar. Pois, assim como Plotino acreditava, Agostinho concordava que a filosofia só poderia tentar falar do absoluto, que é infinito e material. Pois, a linguagem humana está aquém daquilo a que se propõe: a verdade.
A filosofia quer atingir e exprimir a verdade no seu sentido mais venerado. A filosofia quer conhecer e enunciar o bem supremo. Porém, para faze-lo dispõe apenas de uma linguagem finita, humana, uma linguagem que é pequena diante da grandeza de seus propósitos. Por isso, é preciso ter cuidado com as palavras, porque elas podem conter uma pretensão vã, podem parecer dizer algo do qual estão demasiado distantes.[1]
Desta maneira, Agostinho sabe que se deve ter “cuidado”. Mas este cuidado deve se ter em seus dois sentidos. Ou seja, no sentido de esmero e, por outra parte, o cuidado de ter consciência com os limites da palavra. Pois, “a linguagem pode se travestir de portadora da verdade, como se nela coubesse uma doutrina, como se as obras dos homens pudessem conter dogmas, engessados em palavras(…) Não vá ter tanto cuidado com as palavras, cuidado com elas!(…) [Afinal, de que serve a língua de meu cálamo, este instrumento rudimentar, ante a excelência da verdade que deveria exprimir?”[2].
Mas Agostinho lança sua empresa numa forma muito particular:
[Deus] tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo e cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão; conduzindo, enchendo e protegendo, criando nutrindo e aperfeiçoando, buscando ainda que nada Vos falte.
Amais sem paixão; ardeis em zelos sem desassossego; arrependei-Vos sem ato doloroso; irai-Vos e estais calmo; mudais as obras, mas não mudais de resolução; recebeis o que encontrais sem nunca o ter perdido.
Agostinho sabe que a língua não pode, mesmo através do esmero e da técnica, expressar propriamente a verdade. Ao invés disto, utiliza uma técnica literária muito antiga, deveras singular das escrituras. Este é o estilo antitético, que se pode ver também no Livro XII, Capítulo X, parágrafo 10:
“O verdade, ó luz do meu coração,
faze que não sejam as trevas a falar-me!
Deixe-me cair no delas, e me encontrei na sombra,
(…)
Que não seja eu a minha própria vida. Vivi mal, vivendo de mim mesmo.
Fui causa de minha morte. Em ti eu revivo”
Este estilo, o antitético, utiliza uma figura de linguagem em particular: o oxímoro, que “consiste numa expressão contraditória, ou aparentemente contraditória. (…) Um exemplo de oxímoro é a expressão ‘silêncio eloqüente’”[3]. Mas a pergunta de qual a utilidade desta técnica em específico ainda paira no ar. Mas Moacir Novaes nos responde:
Primeiro, de um ponto de vista geral, segundo o que se chama de teologia negativa, ou apofática. Mas as técnicas apofáticas nos levarão a problemas conceituais. Por isso, veremos, em segundo lugar, que o uso de oxímoros permite salientar como Agostinho encara a tarefa da filosofia, na elaboração de enigmas, de paradoxos conceituais. E finalmente, para apreciar a estratégia subjacente a todas essas manobras, consideraremos um livro especial (…) escrito pelos dedos de Deus, as Escrituras.[4]
Assim, Agostinho indica na insuficiência das palavras uma descrição da natureza do absoluto, onde simplesmente ela, a palavra, pára com sua lógica. Alcança o paradoxo. Pois, mesmo a questão da espacialidade de Deus, só pôde ser formulada desta forma. “Acaso estais inteiro em toda a parte, sem que coisa alguma vos contenha inteiramente” (Rm 3,3) já que “Deus não é um ente entre outro, mas o fundamento do ser de todo ente. Sem Deus, não existiria nada que existe.”[5] E, desta maneira, o filósofo continua em seu quarto parágrafo.
Nunca estais pobre e alegrai-Vos com os lucros; jamais avaro e exigis com usura. Damo-Vos mais do que pedis, para que sejais nosso devedor, mas que é que possui coisa alguma que não seja vossa? Pagais as dívidas, a ninguém devendo, e perdoais as dívidas, sem nada perder.
Por fim, Agostinho louvando a Deus, questiona o poder do discurso humano para dizer do próprio fundamento de toda a existência, Deus. Mas adverte aqueles que não vão de encontro a quem os criaram, pois de certa maneira estarão calados para os ouvidos de Deus em sua salvação.
Que dizemos nós, meu Deus, minha vida, minha santa delícia, ou que diz alguém quando fala de Vós?… Mas ai dos que se calam acerca de Vós, porque, embora falem muito, serão mudos.
[1] NOVAES, Moacir. In: Tempo e razão. 1600 anos das Confissões de Agostinho. Edições Loyola. São Paulo.P. 31
[2] NOVAES, Moacir. In: Tempo e razão. 1600 anos das Confissões de Agostinho. Edições Loyola. São Paulo. p. 32
[3] NOVAES, Moacir. In: Tempo e razão. 1600 anos das Confissões de Agostinho. Edições Loyola. São Paulo. p. 40
[4] NOVAES, Moacir. In: Tempo e razão. 1600 anos das Confissões de Agostinho. Edições Loyola. São Paulo.p. 41
[5] BRACHTENDORF, Johannes. Agostinho. p. 45
Grandes pensadores, Morin PARTE I
Michel Foucault: Filosofía y Psicología (1965) 3/3
Michel Foucault: Filosofía y Psicología (1965) 2/3
Michel Foucault: Filosofía y Psicología (1965) 1/3
Vigotski – Pensamento e Linguagem
Pensamento e Linguagem.
Vigotski, em seu trabalho da obra intitulada “Pensamento e linguagem”, foca seus estudos na antiga problemática e abordagem do pensamento e da palavra, e em como solucionar os caminhos-sem-saída através de um novo método.
O pensador soviético inicia a problemática, neste caso, afirmando que é imprescindível deixar de lado a compreensão das relações interfuncionais do pensamento e da linguagem.
[Pois,] enquanto não compreendermos a inter-relação de pensamento e palavra, não poderemos responder, e nem mesmo colocar corretamente, qualquer uma das questões mais específicas da área.[1]
Já que, até sua época, esta área em específico não havia recebido a devida atenção. Todos trataram os processos psíquicos isoladamente através de métodos de análise atomísticos e funcionais, ignorando sua interdependência e sua organização na estrutura da consciência como um todo. Uma vez que, na antiga psicologia, era consenso que as relações entre duas funções determinadas nunca variava, elas foram reduzidas a um fator comum e sendo ignoradas.[2] Continue lendo
Breve vida e obra – Rousseau
Co-Interacionismo – O Desafio Em Correlacionar As Teorias de Piaget, Vygotsky & Wallon.
Introdução.
No binômio professor/aluno ambos os termos correlacionam-se às categorias ensino/aprendizagem. Enquanto a Ciência da Educação ocupa-se com a dimensão do ensino, a Psicologia se ocupa com a aprendizagem, e, o faz elaborando teorias que visem dar conta desta categoria explicitando quais os mecanismos envolvidos no âmbito psíquico, intelectivo e emocional dos alunos e criando metodologias equivalentes que possibilitem ao professor uma melhor execução de sua função docente. Neste contexto três teóricos são extremamente importantes e destacam-se pelas contribuições marcantes mesmo para além dos campos de pesquisa aos quais se dedicavam, sobretudo, na área da educação: Jean Piaget (1896-1980); Henri Wallon (1895-1962) e Lev Semionovitch Vygotsky (1896-1934). Em caráter avaliação à Disciplina Didática e Metodologia do Ensino – 1º Semestre de 2011 – sob a responsabi
lidade do professor doutor Ronaldo Negrão, elaboramos este breve escrito no qual intentamos lançar um rápido olhar sobre as teorias de aprendizagem – dos autores supra – e em pensar na possibilidade em correlacioná-las num tudo coerentemente ordenado.
1-Jean Piaget (1896-1980).
Piaget destaca-se por suas pesquisas no campo da biologia e da psicologia, por meio de seu vasto domínio destas ciências foi capaz de elaborar uma síntese cuja teoria chama-se psicogênese – algo como: origem da psique, da alma, da mente humana – partindo do modelo oferecido pelas ciências biológicas Piaget propõe que o homem, enquanto organismo vem ao mundo dotado de uma pré-formação com a qual responde a estímulos externos, esta pré-formação são seus reflexos – relativos aos cinco sentidos – os reflexos têm como sede sua estrutura neurológica, cada reação aos estímulos que recebe do meio em que está inserido altera, em certo aspecto, esta estrutura. Os reflexos constituem a herança biológica do homem e são demasiadamente importantes na atuação deste no sentido de apropriar-se da herança cultural da espécie.
A construção da psique inicia-se a partir da formação intra-uterina e, portanto, cabe considerar que um indivíduo ao iniciar a carreira escolar já carregue em si percepções, informações e experiências que formam o que Piaget chamou de esquemas de ação. Estes esquemas servem de referência para quando no processo de aprendizagem o aluno for exposto a novas informações. Sua pré-formação, conforme a configuração destes esquemas de ação, responderá de um ou de outro modo à informação apresentada, se a informação for igual ou análoga a outras já existentes na pré-formação o aluno não terá dificuldades em acomodá-la em seus esquemas de ação, mas, se ela for diferente, ele terá uma sensação de desequilíbrio até que ela seja assimilada e passe a constituir-se como elemento de sua formação. Estes processos são chamados por Piaget de assimilação e acomodação, e, correspondem aos processos externos e internos do movimento de aprendizagem, ou seja, na assimilação a experiência é incorporada às estruturas dedutivas, enquanto na acomodação estas estruturas são postas sobre os dados da experiência.
Piaget propõe ainda que o desenvolvimento mental ocorra em quatro grandes fases, ou estágios: (1º) estágio sensório-motor (de nascimento aos dois anos), cujo último período se inicia o processo de aquisição da linguagem; (2º) estágio pré-operatório (dos dois aos sete anos), onde se dá o uso exacerbado da imaginação e a laboração simbólica em relação à linguagem; (3º) estágio operatório concreto (dos sete aos doze anos), onde a criança estabelece relações entre objetos que mantêm certa analogia, por exemplo, catalogando-os e, por fim o (4º) estágio operatório formal (inicia-se por volta dos doze anos), neste estágio a criança manifesta a capacidade do pensamento formal abstrato, ou seja, ela consegue ultrapassar o âmbito do raciocínio ancorado na presença de objetos palpáveis. Além destes elementos a teoria de Piaget ainda comporta uma explicação acerca do desenvolvimento da moralidade, que tem intima relação com estes estágios, sendo operada através de três períodos: (1º) anomia, a ausência de normas de conduta: (2º) heteronomia, a necessidade de uma imposição de normas cuja instância é externa ao indivíduo e (3º) a autonomia, onde o próprio indivíduo elabora suas normas de conduta.
2- Henri Wallon (1895-1962).
Henri Wallon elaborou sua proposta teórica – Psicogenética – tendo como base epistemológica o materialismo histórico dialético – de acordo com o modelo originalmente proposto por Karl Marx (1818-1883) no Manifesto do Partido Comunista (1848) – nesta perspectiva toda construção da psique só ocorre por meio da relação entre os homens no âmbito da vida coletiva, noutras palavras, o processo de humanização é resultado de um movimento de interação entre subjetividades diferentes que se constroem na aproximação mútua de conhecimentos intersubjetivamente constatáveis, e, cuja apropriação torna-os conteúdos de sua vida intra-subjetiva.
Nesta relação Wallon aponta na constituição
biológica, orgânica do homem, como um processo de interação entre os sistemas cortical e o sistema muscular, quando na apropriação de novos saberes influem-se mutuamente com base na tonicidade – a atividade elétrica da musculatura – específica de cada sistema, ou seja, a exposição a situações de stress, por exemplo, produz alterações emocionais que afetam a produção de tônus cortical, que por sua vez afeta o tônus muscular, assim como o esforço muscular altera a produção de tônus muscular, que por sua vez afeta a produção de tônus cortical. O problema está em que toda esta atividade intensa produz um ruído na zona associativa do cérebro o que interfere no processo de aprendizagem, pois esta, segundo Wallon, ocorre quando o sujeito consegue, em relação aos signos, passar do estado sincrético – confuso ou indiferenciado – ao estado diferenciado. Para que isso ocorra é necessário que haja condições de acesso na memória provisória – hipocampo – para o “resgate” de informações ali armazenadas com vista à realização do processo associativo
A grande contribuição de Wallon foi destacar a importância das emoções no processo de aprendizagem e conseqüentemente a necessidade de um ambiente favorável, organizado, para sua concretização.
3- Lev Semionovitch Vygotsky (1896-1934).
Vygotsky destaca-se por sua percepção aguda acerca da importância da linguagem na construção da realidade
humana no âmbito da coletividade; sua teoria tem sido denominada sócio-interacionismo, pois semelhante à concepção de Wallon busca no materialismo histórico bases para sua legitimação e atribui à relação entre herança biológica e a herança cultural a construção da consciência humana. Como se dá este fenômeno é explicado através da atividade de interação entre a subjetividade humana e a objetividade própria dos instrumentos e signos enquanto instâncias mediadoras pelo qual a comunidade dos homens numa dialética constante modifica a natureza e concomitantemente a si mesma.
Os signos constituem a linguagem e na obtenção e domínio desta o homem constrói sua humanidade, a auto-imagem, a auto-estima e o auto-respeito, e, isso em uma postura perante o mundo que se pauta na atitude deste com os conceitos, sendo que a capacidade de sistematização ou não sistematização destes caracterizam uma postura cientifica – no primeiro caso – e, portanto, não ingênua; ou, uma não cientifica – cotidiana – logo, ingênua.
Segundo Vygotsky, o indivíduo desenvolve a capacidade de sistematização dos conceitos numa relação com o coletivo, a organização do coletivo, de modo sistemático, propicia esse desenvolvimento, enquanto um coletivo não sistemático não o faz, a construção da consciência ocorre através da linguagem. Tudo isso constitui o que Vygotsky chamará de zona de desenvolvimento real – porque frisa o que o indivíduo pode realizar sozinho, em que nível de construção sua subjetividade se encontra – com base nisto o conceito de zona de desenvolvimento proximal foi elaborado, nesta zona distingue-se a relação em que o conhecimento intersubjetivo é apropriado pelo indivíduo de modo a constituir-se em conhecimento intra-subjetivo, a partir daí a linguagem é internalizada pelo individuo o que o capacita à realização autônoma de sua sistematização.
4-Breve Esboço De Síntese Entre As Teorias Da Aprendizagem.
As teorias que tivemos a oportunidade de abordar são ricas contribuições para a Ciência da Educação, elas são excelentes auxiliares para a elaboração de uma didática e metodologia do ensino que alcancem o seu objetivo: a formação da consciência crítica e autônoma do educando com capacidade de exercício de sua cidadania na sociedade democrática.
Todavia, mesmo tendo sido elaboradas há mais de meio século seus efeitos no âmbito da educação ainda são efêmeros, e, até mesmo ambíguos, posto que, são consideradas, pelos educadores, principalmente naquilo que as diferencia, e não nos elementos que as aproximam.
A forte tendência mesmo entre os educadores é de segmentarem-se em nichos que advogam para si a herança de um ou de outro dentre este teóricos. Disto resulta que temos a escola de Piaget, a escola de Wallon e a escola de Vygotsky; cada uma considerando a si mesma, de modo exclusivo, como a melhor proposta ou a resposta ideal para o problema da construção da psique e para a elaboração de uma teoria da aprendizagem.
O que temos é uma polarização do problema, uma visada sob uma única perspectiva sobre um fenômeno que, intuímos, possui diversas perspectivas; considerar o fenômeno humano por um único ângulo é deixar de lado as múltiplas faces com as quais ele se nos apresenta. E talvez, uma teoria que consiga abarcar num todo coerentemente ordenado essas contribuições destes teóricos seja a que possa dar conta satisfatoriamente do problema que requer mais que um único olhar limitado, ainda que agudo, por seus elementos constitutivos.
As teorias tratadas apontam um caminho de elaboração para uma didática e metodologia do ensino que tem em cada autor a ênfase, mais específica, num elemento: em Piaget a formação individual com base no modelo biológico é priorizada, Wallon tem como núcleo a emoção e esta em resultado da interação como o meio, e, por fim, Vygotsky, onde a organização do coletivo é essencial para a formação do indivíduo.
Estas propostas não são excludentes, não é necessário que se escolha uma e rejeite outra, pois, consideram âmbitos, aspectos diferentes no processo de formação do sujeito.
É provável que o caminho mais seguro para uma boa didática seja aquele que considera em primeira instância a organização do coletivo, conforme a proposta de Vygotsky, que coloque de modo sistemático os conceitos com os quais o aluno há de contatar-se pela primeira vez, em que, sobretudo, o ambiente físico seja espaço de organização para que não haja tensão sobre o educando, de modo a proporcionar-lhe o exercício pleno de isegoria, ou seja, que ele possa manifestar opiniões diferentes sem ser afetado negativamente na auto-imagem. Bem, isso movimenta a preocupação com a didática para o plano em que não se considera apenas a questão intelectiva, mas, sobretudo a emotiva, conforme propõe Wallon, a possibilidade de vivências emocionais saudáveis, positivas num ambiente em que a organização é construída com o fim de um exercício da isegoria de cada educando e onde essa organização no âmbito conceitual presa por uma sistemática, se torna mais concreta, bem como as próprias condições emocionais contribuem para essa mesma organização. Por fim, nada mais resta senão laborar a construção individual sob a perspectiva de Piagetprias condiçs concreta, bem como as prsa organizaçpropoe m. aboraçonsiga abarcar num todo corentemente ordenado as contribuiç tendo lançado as bases organizacionais e emotivas o ambiente é propício a que focalizemos a relação das estruturas na obtenção de novos conhecimentos de modo que o indivíduo mova-se – no plano conceitual – de um estado de desequilíbrio à equilibração – a ação conjunta da assimilação e da acomodação – dando lugar à plena adaptação intelectual.
Conclusão.
Este itinerário visa estabelecer uma co-interação entre as diversas teorias aqui expostas, para tanto, tratamos inicialmente de cada uma delas individualmente visando distinguir suas semelhanças e dessemelhanças, os pontos em que seria possível correlacioná-las e os pontos onde isso não seria possível. Esta abordagem constitui-se no exercício de interdisciplinaridade e é importante para os problemas postos, hoje, pela Ciência da Educação, todavia, todo exercício de interdisciplinaridade deve ser levado a efeito após a sistematização prévia de duas ou mais teorias, caso contrário, a interdisciplinaridade, incorrerá no risco de parecer ter sido artificialmente engendrada, pois terá um caráter superficial sendo incapaz em alcançar seus objetivos teóricos e menos ainda seus objetivos práticos.
Faltou-nos abordar as contribuições de outro grande teórico em psicologia: Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), cuja teoria, Behaviorismo, deu origem à ciência análise do comportamento; esta tem sido importante para a discussão na área da educação, problematizando o caráter “livre” de nossas das ações do indivíduo nas relações interpessoais e a possibilidade de modificação de seu comportamento por meio de premiações e – ou – punições. Todavia, inserção deste tópico ficará a cabo de futuras reflexões acerca das possibilidades, das esperanças e das “ilusões” do que tem sido denominado pelo epíteto co-interacionismo.
Resumo Tratado da Natureza Humana – David Hume
Um Tratado da Natureza Humana
David Hume
Resumo da Parte 3 do Livro 1 : “Do conhecimento e probabilidade” [1]
Ó Silvio S. Chibeni – 2004
Índice das seções:
1. Do conhecimento 2. Da probabilidade e da idéia de causa e efeito 3. Por que uma causa é sempre necessária 4. Das partes componentes de nossos raciocínios sobre causa e efeito 5. Das impressões dos sentidos e memória 6. Da inferência da idéia a partir da impressão 7. Da natureza da idéia de crença 8. Das causas de crença 9. Dos efeitos de outras relações e outros hábitos 10. Da influência da crença 11. Das probabilidades de acaso 12. Das probabilidades de causas 13. Da probabilidade não-filosófica 14. Da idéia de conexão necessária 15. Regras pelas quais se pode julgar acerca de causas e efeitos 16. Da razão dos animais1. Do conhecimento.
[1] Hume enumera aqui sete tipos de relações filosóficas, divididas em dois grupos [cf. 1.1.1.5]:
a) As que “dependem unicamente das idéias que comparamos”: semelhança, proporção em quantidade ou número, graus em qualquer qualidade e contrariedade.
b) As que “podem ser mudadas sem nenhuma mudança nas idéias” relacionadas: identidade, relações de tempo e lugar, e causação.
[2] Somente as relações do primeiro tipo “podem ser objeto de conhecimento e certeza”; elas são o “fundamento da ciência” [1.3.2.1]. Das quatro, três “podem ser descobertas à primeira vista”, ou seja, intuitivamente: semelhança, graus em qualquer qualidade e contrariedade.
[3] Apenas as relações de proporção em quantidade ou número podem requerer demonstração.
[4] Quanto à geometria, nunca pode atingir perfeita precisão e exatidão, porque seus princípios se baseiam “na aparência geral dos objetos”, podendo haver aí alguma insegurança.
[5] As únicas disciplinas “científicas” são, pois, a aritmética e a álgebra; todas as demais caem no domínio da “probabilidade” [1.3.2].
[6] Apesar da incerteza, a geometria é útil, porque as aparências em que se baseiam seus princípios “são as mais fáceis e menos enganosas”. Há mais certeza nelas do que numa proposição complexa sobre um quiliágono, por exemplo. Continue lendo


