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Toda forma que vês As belas figuras que viste, Enquanto a fonte é abundante, A alma é a fonte, Desde que chegaste ao mundo do ser, Finalmente foste feito homem, Quando tiveres cumprido tua jornada, Passa de novo pela vida angelical, Abandona este filho que chamas corpo
Retirado de: http://www.sertaodoperi.com.br/poesiasufi/poesia/indice.htm |
Rumi – A evolução da forma
Abdullah Ansari – [As duas Caabas]
Abdullah Ansari, outro grandioso místico sufi.(1006-1088)
Falando do Amor e União com o Amado Deus, ou da Caaba do Coração, como ele chama.
”Mesmo uma prisão
Irradia felicidade
Se o amor por Ti
Enche o coração.
Abençoada é a escravidão
Que Teu serviço compele,
Teus servos são felizes
Em suas servidões.
Há duas Caabas
A Caaba construída na terra
E a Caaba do coração.
A primeira é aquela que os pés
Dos peregrinos freqüentam;
A outra é o local secreto
Que os Buscadores da Verdade descobrem.
É a primeira
Que enche os olhos dos fiéis;
A outra, apenas o devoto encontra
Sob o olhar de Deus mesmo.
A peregrinação à Caaba terrestre
É uma questão de disciplina formal;
A descoberta da Caaba do coração,
Depende da graça de Deus.
Numa, os peregrinos bebem do poço do Zam-Zam;
A outra abre suas fontes
Ao manar dos suspiros.
A Caaba terrestre
É guardada pela montanha Irfat,
O templo do coração
É radiante com a luz de Deus.
Da Caaba terrestre
ídolos de pedra foram removidos;
Da Caaba do coração
A voracidade e o desejo são destronados.”
As Invocações de Abdullah Ansari
Editora Dervish
Fonte: http://zen-biduga.blogspot.com
Nota: As poesias sufis não têm título. Todas são postas por tradutores ou outros que não seus autores.
Hakim Sanai – [Ele sempre sabe]
HAKIM SANAI – Escritor, poeta e filósofo sufi – 1044-1150.
ELE SEMPRE SABE:
Ele conhece previamente teu mais íntimo pensamento. Ele percebe o que as suas criaturas necessitam antes mesmo que tenham concebido seu desejo.
Ele sabe do passo de uma formiga sobre uma pedra na escuridão.
Ele sempre sabe o que se passa na mente dos homens: farias melhor se refletisses sobre isso.
Se ages mal, há duas maneiras de encará-lo: ou pensas que Ele não o sabes, – e me espanto com a tua falta de fé ou então pensas que Ele sabe, ainda assim persistes, – e me espanto tua vil impertinência.
Podes ser verdade que nenhum homem conheça teus segredos; mas Deus os conhece; Ele não é menos que um homem; certamente isto significa que ele conhece teu coração?
Então te afasta deste malfeito, para que em teu último dia não te afogues no mar de tua própria vergonha.
Fonte: O Jardim Amuralhado da Verdade – Hakim Sanai – Edições Dervish.
Fonte: http://lucio-vergel.blogspot.com
Hakim Sanai – [Ele é o teu pastor]
HAKIM SANAI – Escritor, poeta e filósofo sufi – 1044-1150.
ELE É O TEU PASTOR:
Ele é o teu pastor e preferes o lobo.
Ele te convida a si, no entanto permaneces sem alimento.
Ele te dá a sua proteção, no entanto estás profundamente adormecido.
Bem feito para ti, tolo, insensato e presunçoso!
Ele cura nossa natureza desde dentro.
Ele é mais bondoso conosco do que nós mesmos o somos.
Uma mãe não ama seu filho com metade do amor que Ele dedica.
Sua bondade torna o indigno digno; e em troca Ele se contenta com a gratidão e paciência do seu servo.
Quebraste tua palavra, ainda assim Ele mantém sua palavra contigo: Ele é mais leal do que o és contigo mesmo.
Fonte: O Jardim Amuralhado da Verdade – Hakim Sanai – Edições Dervish.
Fonte:
Rumi – [A Casa dos Hóspedes]
O ser humano é uma casa de hóspedes.
Toda manhã uma nova chegada.
A alegria, a depressão, a falta de sentido, como visitantes inesperados.
Receba e entretenha a todos
Mesmo que seja uma multidão de dores
Que violentamente varrem sua casa e tira seus móveis.
Ainda assim trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar te limpando
para um novo prazer.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
encontre-os à porta rindo.
Agradeça a quem vem,
porque cada um foi enviado
como um guardião do além.
Hume e a Poesia
“A poesia, com toda a sua arte, jamais pode causar uma paixão, como as da vida real. Falha na concepção original de seus objetos, que nunca se fazem sentir do mesmo modo que aqueles que comandam nossa crença e opinião.”
HUME, David, Resumo de um tratado da natureza humana. Editora Paraula. P. 85
Rumi – [Sama]
Sama
Vem, vem, tu que és a alma
da alma da alma do giro!
Vem, cipreste mais alto
do jardim florido do giro.
Vem, não houve nem haverá
jamais alguém como tu.
Vem e faz de teus olhos
o olho desejante do giro.
Vem, a fonte do sol se esconde
sob o manto da tua sombra.
És dono de mil Vênus
nos céus desse remoinho.
O giro canta tuas glórias
em mil línguas eloqüentes.
Tento traduzir em palavras
o que se sente no giro.
Quando entras nessa dança,
abandonas os dois mundos;
é fora deles que se encontra
o universo infinito do giro.
Muito alto, distante se vê
o teto da sétima esfera,
mas muito além é que encontras
a escada que leva ao giro.
O que quer que exista, só existe no giro;
quando danças, ele sustenta teus pés.
Vem, que este giro te pertence
e tu pertences ao giro.
O que faço quando vem o amor
e se agarra ao meu pescoço?
Seguro-o, aperto-o contra o peito
e arrasto-o para o giro!
E quando as asas das mariposas
abrem-se ao brilho do sol
todos caem na dança, na dança
e jamais se cansam do giro!
Obs: Muito provável que o “giro” se refira à dança que Rumi inventou que simula o movimento dos planetas no sistema solar.
Nossa canção Vitoriosa!
Nesse dia final,
quando me ponham a mortalha,
não penseis que minha alma
permanecerá neste mundo.
Não chores por mim, gritando:
“Que tragédia, que tragédia!”
Cairias assim nas armadilhas
de um enganoso espelhismo.
Essa seria a verdadeira tragédia!
Quando vires meu corpo inanimado passar,
não griteis: “Se foi!, se foi!”,
pois será meu momento de união,
de aceitar o abraço eterno do Amado.
Quando me introduzirem na cova,
não me digais: “Adeus, adeus!”
A tumba é apenas um véu
que oculta o esplendor do Paraíso.
Pensa na aurora se houveres visto o ocaso.
Que dano fez pôr-se à Lua ou ao Sol?
O que é crepúsculo a vossos olhos
É alvorada para mim.
O que é para vocês uma prisão
É para minha alma um infinito jardim.
Crescerá toda semente no solo enterrada.
Haveria de ser diferente à semente humana?
Sai cheio cada balde que desce ao poço.
Deveria queixar-se me em vez de água
Retiro o próprio José (a beleza)?
Não busqueis aqui as palavras,
Busca-as em outro lugar.
Canta para mim no silêncio do coração
E me erguerei da terra para ouvir
Vossa vitoriosa canção.
Rumi – [Quem está em minha porta?]
«_Quem está em minha porta?», perguntou Ele.
«Teu humilde servo», respondi eu.
«_Que é o que te traz aqui?»
«Saudar-te, me Senhor.»
«_Quanto tempo mais viajarás?»
«_Até que TÚ me detenhas.»
«_Quanto tempo mais ferverás no fogo?»
«_Até que esteja purificado. Este é meu juramento:
No altar do amor entrego riqueza e posição.»
«Tens defendido teu caso mas não tens testemunhos.»
«Minhas lágrimas são minhas testemunhas,
a palidez de meu rosto são minhas provas.»
«Teu testemunho não tem validade:
Teus olhos estão demasiado úmidos para ver.»
«_Pelo esplendor de Tua justiça
meus olhos tornaram-se limpos e sem imperfeição.»
«_Qué buscas?»
«_Ter-te como Amigo permanente.»
«_Que queres de Mim?»
«_Tua abundante Graça.»
«_Quem foi teu companheiro na viagem?»
«_O pensamento de Ti, meu Rei.»
«_Que é o que te trouxe aqui?»
«A fragrância de Teu vinho.»
«_Que é o que mais te agrada?
«_A companhia do Soberano.»
«_Que é o que n’Ele encontras?»
«_Centenas de milagres. »
«_Por que está o palácio deserto? »
«_Porque todos temem ao ladrão.»
«_Quem é o ladrão? »
«_Quem me mantenha apartado de Ti. »
«_Aonde encontras segurança? »
«No serviço e na renúncia.»
«_Que te oferece a renúncia? »
«_A esperança de saIvação»
«_Onde se acha a graça?»
«_Na presença de Teu amor.»
«_Como te aproveitas desta vida?»
«_Mantendo-me fiel a mim mesmo.»
Chegado está o momento do silêncio.
Se lhes falo de Sua verdadeira essência,
sairás de vosso ser voando,
E nem porta nem telhado os poderiam reter!
Obs: poesia sufis não têm títulos.




